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Um bloqueio da espontaneidade e do processo criativo através do vestir 

Para desenvolver da maneira adequada, a criança precisa de alguns elementos, entre eles, o mais fundamental é o amor – entendendo que amor, para ela, é toque, é contato com a pele, é presença fisico e palavras. Ela também precisa de elemento de proteção, pois a experiência da individualização, automaticamente, gera medo. E como ela ainda não tem razão desenvolvida para entender que os pais estão trabalhando para sustentá-la, mesmo que fique sozinha por curtos espaços de tempo, automaticamente ela mesma entra em contato com o seu mundo imaginário.

Por fim, a criança precisa de liberdade para expressar. Uma forma de demostrar sua espontaneidade através de múltiplos papeis, e como inventa palavras e aprende muitas delas, a forma como veste ou desenha, é uma forma de exercitar e formar sua opinião do seu gosto por aquilo que é o seu mundo. Fazendo do papel em branco, um desenho, faz  do corpo uma forma de manifestar e desenhar novas formas, inventar novas cores, novos personagens, ora cor, ora gênero, ora textura, um personagem em quadrinho, um menino, ou uma princesa. Transformando a roupa em texto, em frase ou em um discurso não verbal ( com todas as suas formas, cores e significados, ou não!)

É dessa maneira que ela dá vida ao seu mundo, aos seus valores, sua intimidade, ao seu contexto, às suas brincadeiras, aos seus sentimentos e pensamentos e até a sua  personalidade. Trazendo uma forma de interpretação de vários papeis e preenchendo  o seu tempo com prazer. Usando a moda, ou melhor, a roupa como estimulo de prazer em experimentar e criar e de se expressar, que dá asas a imaginação. Que se veste de gente grande e gente pequena, não a moda de gente grande que quer mudar a vida deles ou mostrar para outras pessoas a sua chancela, ou melhor, condição social ou condição bibelô de uma mãe vaidosa que quer o ver a filha de laço rosa e vestido floral; ou o filho de camisa  de marca, a qual sustenta um símbolo a não reconhecido por quem o veste, com calça de marca e tênis tão colorido que chega a ofuscar os olhos. É neste contexto, nos dias atuais que vivem nossos filhos. Devido a alguns fatos que tenho presenciado em casas de clientes percebo a manifestação constante do gosto pessoal da mãe na vida das crianças. Resolvi escrever esse relato, devido a grande influencias dos familiares no processo criativo do vestir das crianças. Esse tipo de repressão se repete muitas vezes na adolescência, podando o processo criativo e expontâneo da individualidade e personalidade do indivíduo. É nesse contexto ou desse jeito que ela se inspira, que cada criança ou adolescente possa escrever o seu papel na sociedade, se expressar, formar sua personalidade, sendo que a roupa é uma poderosa forma de transmitir sentimentos e  até sentir diversão. Uma brincadeira que deve ser brincada ou estimulada pelos pais. E muito dos pais não permitem isso, por acreditarem ou pensarem que seu filho vai ter uma tendência de mudança de gênero ou que vai ser criticado ao vestir determinada roupa.

E por isso que os pais devem auxiliar, mas não influenciar o processo criativo das crianças e adolescente.

Fica a dica como mãe de dois filhos, uma de 22 anos que sofreu com minha influencia de (consultora de moda) na infância e adolescência, mas em compensação, o menor de 7 anos, tem autonomia e criatividade pra expressar na sua melhor versão. Aprendi com meus erros!!